Hipertensão Arterial no envelhecimento

Por Karine Kahl

A hipertensão arterial sistêmica (HAS) é uma condição clínica multifatorial caracterizada por níveis altos de pressão arterial (PA). Geralmente está associada a alterações funcionais e/ou estruturais de órgãos alvo, tais como coração, encéfalo, rins e vasos sanguíneos, e a alterações metabólicas, com consequente aumento do risco de eventos cardiovasculares.1 A HAS é o principal fator de risco para doenças cerebrovasculares e doenças isquêmicas do coração, sendo a causa modificável mais importante para a morbidade e a mortalidade cardiovascular. A prevalência da hipertensão aumenta com a idade2: estima-se que atinja aproximadamente 22% da população brasileira acima dos vinte anos e pode chegar a 75% nos indivíduos acima dos 75 anos, sendo também responsável por 80% dos casos de acidente cérebro vascular, 60% dos casos de infarto agudo do miocárdio e 40% das aposentadorias precoces. Alguns fatores de risco são: a hereditariedade, a idade, o gênero, o grupo étnico, a obesidade, o etilismo, o tabagismo, o uso de anticoncepcionais orais, além de, claro, o estilo de vida (que engloba alimentação, prática de atividade física, estado psicossocial, entre outros).3

Um estudo realizado com 57 hipertensos numa cidade de Fortaleza (2010) verificou que mais da metade (54,5%) desses indivíduos possuíam idade entre 60 e 69 anos, e que 75% da amostra eram mulheres. 50% dos participantes do estudo relataram que possuíam irmão/irmã com HAS. Além disso, 33,3% dos hipertensos apresentavam comorbidades, sendo que todos eles possuíam diabetes mellitus tipo 2.4

Texto HAS 4

Uma vez diagnosticada a hipertensão arterial, deve-se iniciar o tratamento pelo resto da vida. Este pode ser medicamentoso ou não medicamentoso. O primeiro tipo geralmente é indicado para hipertensos moderados e graves, e para aqueles com fatores de risco para doenças cardiovasculares e/ou lesão importante de órgãos-alvo.3 Esses medicamentos podem ser da classe dos diuréticos, inibidores adrenérgicos, vasodilatadores diretos, bloqueadores dos canais de cálcio, dentre outros. Alguns dos mais comuns no Brasil são o atenolol, o enalapril e a losartana.5 Porém, apesar de eficaz, a terapia medicamentosa tem alto custo e pode ter efeitos colaterais motivando o abandono do tratamento. Um estudo em João Pessoa (PA) verificou a adesão de 25 hipertensos acima de 60 anos. Verificou-se que apenas 12 deles faziam uso de medicamentos, enquanto os outros 13 deixaram de usar, entre os motivos estavam o esquecimento, a ausência de sintomas, e a desmotivação.6

Intervenções não-farmacológicas têm sido apontadas na literatura pelo baixo custo, risco mínimo e pela eficácia na diminuição da pressão arterial. Entre elas estão: a redução do peso corporal, a restrição alcoólica, o abandono do tabagismo e a prática regular de atividade física. Deste modo, a intervenção não-farmacológica presta-se ao controle dos fatores de risco e às modificações no estilo de vida, a fim de prevenir ou deter a evolução da hipertensão arterial.3  Dezenove dos hipertensos avaliados do estudo citado acima faziam uso parcial da terapia não-medicamentosa, enquanto apenas 8% eram não-aderentes.6

Texto HAS 2

Os benefícios de uma alimentação equilibrada em portadores de HA estão comprovados na literatura. Dietas ricas em frutas e vegetais, além de baixos níveis de gordura total e saturada, foram responsáveis por uma queda significativa dos níveis de pressão arterial de um grupo de hipertensos. Ademais, a combinação da dieta com uma restrição de sódio resultou em uma queda maior da pressão arterial sistólica entre os pacientes.4 Além disso, a relação entre o aumento de peso e de PA é quase linear, sendo observada em adultos e adolescentes. 20% a 30% da prevalência de HAS pode ser explicada pelo excesso de peso corporal. Independentemente do valor de IMC, a distribuição de gordura, com localização predominante no abdome, é com frequência associada a resistência à insulina e elevação da PA, sendo um fator de risco para Doenças Cardiovasculares. Perdas de peso e de circunferência abdominal correlacionam-se com reduções da PA e melhora de alterações metabólicas associadas.1

No que diz respeito à prática de atividade física, estudos mostram que elas podem ser úteis na implementação do tratamento não-farmacológico da hipertensão, principalmente entre os idosos. O uso correto e contínuo do anti-hipertensivo associado à prática da atividade física leva a uma redução e/ou controle dos níveis de pressão arterial, promovendo uma sensação de bem-estar físico e mental, além da melhoria da qualidade de vida num contexto geral.4

Texto HAS 3

Orientação alimentar1

A conduta alimentar básica em pacientes hipertensos deve:

  • Tentar controlar/manter peso corporal em níveis adequados;
  • Dar preferência a temperos naturais como limão, ervas, alho, cebola, salsa e cebolinha, ao invés de similares industrializados;
  • Tentar substituir doces e derivados do açúcar por carboidratos complexos e frutas;
  • Incluir pelo menos cinco porções de frutas/verduras no plano alimentar diário, com ênfase nos vegetais verdes ou amarelos e nas frutas cítricas;
  • Optar por alimentos com reduzido teor de gordura e, preferencialmente, do tipo mono ou poliinsaturada, presentes nas fontes de origem vegetal, exceto dendê e coco;
  • Reduzir ou abolir a ingestão de bebidas alcoólicas;
  • Manter ingestão adequada de cálcio pelo uso de produtos lácteos, de preferência, desnatados.

 

REFERÊNCIAS:

1 MINAS GERAIS. FUNDAÇÃO HOSPITALAR DO ESTADO DE MINAS GERAIS. Diretrizes clínicas, protocolos clínicos: Hipertensão Arterial Sistêmica. 2013. Disponível em: <file:///C:/Users/Karine/Downloads/044_Hipertensao_Arterial_Sistemica_07082014.pdf>. Acesso em: 06 jun. 2017.

2 FIRMO, Josélia Oliveira Araújo. Projeto Bambuí: maneiras de pensar e agir de idosos hipertensos. Caderno de Saúde Pública, Rio de Janeiro, v. 4, n. 20, p.1029-1040, jul. 2004.

3 ZAITUNE, Maria Paula do Amaral et al. Hipertensão arterial em idosos: prevalência, fatores associados e práticas de controle no Município de Campinas, São Paulo, Brasil. Caderno de Saúde Pública, Rio de Janeiro, v. 2, n. 22, p.285-295, fev. 2006.

4 ROMERO, Adriana Diógenes et al. CARACTERÍSTICAS DE UMA POPULAÇÃO DE IDOSOS HIPERTENSOS ATENDIDA NUMA UNIDADE DE SAÚDE DA FAMÍLIA. Rev. Rene. Fortaleza, Fortaleza, v. 11, n. 2, p.72-78, abr. 2010.

5 KOHLMANN JR, Osvaldo et al. Tratamento medicamentoso. J. Bras. Nefrol.,  São Paulo, v.32, supl.1, p.29-43, Set, 2010. Available from <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0101-28002010000500008&lng=en&nrm=iso&gt;. Acesso em: 07 junho de 2017

6 DOURADO, Cinthia Souto et al. Adesão ao tratamento de idosos com hipertensão em uma unidade básica de saúde de João Pessoa, Estado da Paraíba. Acta Scientiarum. Health Sciences, Maringá, v. 33, n. 1, p.9-17, jan. 2011.


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