Doenças Pulmonares no Envelhecimento

Por Karine Kahl

A doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC) é uma doença respiratória tratável que se caracteriza pela obstrução crônica do fluxo aéreo, o qual não é totalmente reversível. A obstrução do fluxo aéreo é geralmente progressiva e está associada a uma resposta inflamatória dos pulmões diante da inalação de partículas ou gases tóxicos. Embora a DPOC comprometa os pulmões, ela também produz consequências em todo o organismo. O processo inflamatório crônico pode produzir alterações dos brônquios (bronquite crônica), bronquíolos (bronquiolite obstrutiva) e parênquima pulmonar (enfisema pulmonar). A predominância destas alterações é variável em cada indivíduo, tendo relação com os sintomas apresentados.1

Os principais fatores de risco externos são o tabagismo, exposição à irritantes químicos e fumaça de lenha. Já os individuais englobam deficiência enzimática (alfa 1-antitripsina ou glutationa transferase), desnutrição e prematuridade.1 Além disso, autores estudam a hipótese de relação entre o envelhecimento pulmonar e o aparecimento de doenças. Durante o processo de envelhecimento natural, o pulmão sofre alterações que levam à diminuição da perfusão sanguínea, acompanhado pelo aumento da inflamação local, uma das características da DPOC.3

DPOC 2

Não se sabe qual a real prevalência de DPOC no mundo. Dados de 2006 mostram que em torno de 210 milhões de pessoas tinham a doença.2 No Brasil, estima-se que esteja presente em mais de 12% dos adultos maiores de 40 anos e nos últimos anos, vem ocupando da 4ª a 7ª posição entre as principais causas de morte no país, sendo esperado que, num futuro não distante, ela seja a 2ª causa.1 Além disso, vem sendo apontada como uma das principais causas de morte na velhice (acima de 65 anos), aproximadamente 16%.5

A tosse é o principal sintoma, podendo ser diária ou intermitente. O aparecimento da tosse no fumante é tão frequente que muitos pacientes não a percebem como sintomas de doença, considerando-a como o “pigarro do fumante”. A tosse produtiva ocorre em aproximadamente 50% dos fumantes. A dispneia (dificuldade de respirar caracterizada por respiração rápida e curta) é o principal sintoma associado à incapacidade, redução da qualidade de vida e pior prognóstico. É geralmente progressiva com a evolução da doença.1

Além da obstrução ao fluxo aéreo, a DPOC é caracterizada por descondicionamento e inatividade física. A disfunção muscular esquelética, uma das características comuns da doença, está ligada à diminuição da capacidade de exercício que, associada à dispneia, levam à inatividade física. A inatividade física na DPOC tem repercussões importantes, sendo hoje considerada como um fator diretamente relacionado ao maior risco de exacerbações agudas e de mortalidade precoce.4 Um estudo realizado entre 2009 e 2010 avaliou o perfil de atividade física de 40 indivíduos portadores de DPOC e comparou com o de 30 idosos saudáveis. Os pacientes portadores de DPOC apresentaram menor tempo de caminhada/dia quando comparados aos idosos saudáveis e menor intensidade de movimento. Os pacientes com DPOC também tenderam a passar mais tempo sentados. A maioria dos pacientes com DPOC no Brasil (72,5%) e dos idosos saudáveis no Brasil (93%) podem ser considerados fisicamente ativos por atingirem o tempo mínimo de caminhada recomendado por dia. Porém, apesar disso, eles caminharam com intensidade de movimento 17% menor do que a dos idosos saudáveis.4

DPOC 5

Outro estudo realizado com 118 indivíduos idosos, sendo 60 portadores de DPOC e 58 saudáveis, comparou a antropometria, avaliação pulmonar e capacidade de se exercitar. Como resultado, obteve-se que pacientes com DPOC apresentaram uma redução significante no volume pulmonar em comparação com controles saudáveis. De acordo com outros relatórios, esses dados confirmam que a DPOC pode reduzir a tolerância ao exercício e as atividades diárias mesmo em pacientes mais velhos.5

O diagnóstico da doença é feito a partir da detecção dos sintomas e história de exposição à agentes nocivos, sendo o teste final feito a partir da Espirometria (permite avaliar a capacidade vital forçada, o volume expiratório no primeiro segundo e a relação entre os dois, que se for menor do que 0,70, apresenta limitação do fluxo aéreo).1 O tratamento deve ser individualizado de acordo com a gravidade e modificado conforme a resposta. Deve abranger as medidas gerais, de prevenção e farmacológicas. Os métodos mais frequentes são: cessação de tabagismo, uso medicamentos broncodilatadores de inalatórios, exercício, reconhecimento de exacerbações, estratégias para minimizar a dispneia e o estresse. O objetivo é que o paciente tenha o autocontrole de sua doença e adequada adesão ao tratamento.6

DPOC 4

A DPOC é a principal causa de grave deterioração da qualidade de vida, atividade física e estado funcional em populações idosas e que o grau desse comprometimento depende principalmente da gravidade da obstrução crônica das vias aéreas.7 A prevenção se baseia principalmente em evitar contato com agentes químicos que possam ser inalados, não fumar e manter um estilo de vida saudável, com uma dieta equilibrada e prática de atividades físicas regulares.

Dia 16 de novembro é comemorado o Dia Mundial da DPOC.

 

REFERÊNCIAS:

1 JARDIM, José Roberto et al. II CONSENSO BRASILEIRO SOBRE DOENÇA PULMONAR OBSTRUTIVA CRÔNICA. Jornal Brasileiro de Pneumologia e Tisiologia, Brasília, v. 30, n. 5, nov. 2004.

2 COUTO, Tatiana Mesquita Barbosa. Caracterização da qualidade de vida e necessidades de idosos com DPOC. 2010. 94 f. Tese (Doutorado) – Curso de Medicina, Universidade de Aveiro, Portugal, 2010.

3 ITO, Kazuhiro; BARNES, Peter J. A DPOC como uma doença de envelhecimento acelerado. Revista Portuguesa de Pneumologia, Portugal, v. 15, n. 4, p.173-180, ago. 2009.

4 HERNANDES, Nidia Aparecida et al. J Bras Pneumol. 2009;35(10):949-956 Perfil do nível de atividade física na vida diária de pacientes portadores de DPOC no Brasil. Jornal Brasileiro de Pneumologia, Londrina, v. 10, n. 35, p.949-956, 2009.

5 PERUZZA, S. et al. Chronic obstructive pulmonary disease (COPD) in elderly subjects: impact on functional status and quality of life. Respiratory Medicine, Italia, v. 97, p.612-617, 2003.

6 MARÍA MONTES DE OCA (Sociedade Brasileira de Pneumologia). DIRETRIZES BRASILEIRAS PARA O MANEJO DA DPOC. p.1-144, 2016.


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