Você sabe o que é Síndrome Metabólica?

Por Karine Kahl e Ana Carolina Santos

Considerando que a obesidade e a Síndrome Metabólica (SM) aumentam sua prevalência com o avanço da idade e que os idosos são do grupo da população com maior prevalência de eventos cardiovasculares, a importância do tema se torna ainda maior, já que a população idosa vem crescendo em todo o mundo, principalmente em países em desenvolvimento como o Brasil. 6

Procurando reduzir a incidência de doenças cardiovasculares (DCV), muitos esforços têm sido realizados para se obter um maior conhecimento da sua fisiopatologia e identificar os fatores que condicionam o seu desenvolvimento. Isto tornaria possível o aumento da longevidade e melhora na qualidade de vida dos indivíduos1.

Já no início do século passado diversos autores observaram uma associação do risco da doença cardiovascular a alguns fatores como a obesidade, a hipertensão, o diabetes e a dislipidemia, que frequentemente estavam agrupados1.

O impacto destes fatores de risco passaram gradualmente a despertar uma crescente importância por parte de vários autores como causa de mortalidade da população adulta após a quarta década de vida, a ponto de descreverem a associação dos fatores como o “quarteto mortal” 1.

A presença deste agrupamento de fatores de risco para o diabetes e a doença cardiovascular tem recebido diferentes denominações que a caracterizam como uma síndrome. A Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM) conceitua a Síndrome Metabólica como um conjunto de doenças cuja base é a resistência insulínica. Esse termo descreve um conjunto de fatores de risco metabólico que se manifestam num indivíduo e aumentam as chances de desenvolver doenças cardíacas, acidente vascular cerebral (AVC) e diabetes.

A doença é caracterizada pela associação de hipertensão arterial sistêmica, obesidade abdominal, tolerância à glicose prejudicada, hipertrigliceridemia e baixas concentrações sanguíneas de HDL-colesterol, além dos estados pró-trombótico e pró-inflamatório observados4. Pessoas com maior peso e maior circunferência da cintura, bem como histórico familiar de diabetes, pressão alta e altos níveis de gordura presentes no sangue possuem maiores chances de desenvolver a síndrome3.

Sindrome Metabolica2
Imagem: site do Dr. Leandro Marques (Nutrólogo)

A predisposição genética, a alimentação inadequada e a inatividade física estão entre os principais fatores que contribuem para o surgimento da doença, cuja prevenção primária é um desafio mundial contemporâneo, com importante repercussão para a saúde3.

Com relação à prevalência da síndrome metabólica não foram encontrados estudos com dados representativos da população brasileira. No entanto, estudos em diferentes populações, como a mexicana, a norte americana e a asiática, revelam prevalências elevadas da doença dependendo do critério utilizado e das características da população estudada, variando as taxas de 12,4% a 28,5% em homens e de 10,7% a 40,5% em mulheres3.

Destaca-se o aumento da prevalência da obesidade em todo o Brasil e uma tendência especialmente preocupante do problema em crianças em idade escolar, em adolescentes e nos estratos de mais baixa renda. A adoção precoce por toda a população de estilos de vida relacionados à manutenção da saúde, como dieta adequada e prática regular de atividade física, preferencialmente desde a infância, é um componente básico da prevenção desta síndrome3.

As pessoas identificadas como portadoras da doença devem ser orientadas com muita ênfase para a modificação do estilo de vida com a garantia de que este é o tratamento de primeira linha. Quando estes métodos falham, opções farmacológicas complementares são consideradas, lembrando que mesmo após o diagnóstico da doença cardiovascular e do diabetes, dietas e exercícios mantêm-se eficazes2.

O melhor método para prevenção está ligado à uma alimentação adequada, rica em frutas e verduras e baixo consumo de frituras, além da prática regular de exercícios físicos. Pessoas que apresentam os fatores de risco para a doença devem ficar mais atentas e procurar acompanhamento médico, pois uma avaliação dos níveis de colesterol, triglicerídeos e glicose sanguíneos é importante no tratamento da síndrome3.

O tratamento dietoterápico de pacientes com SM deve priorizar a perda ponderal de peso, o que, por si só, melhora a sensibilidade à insulina e confere benefícios adicionais em relação às demais anormalidades características da síndrome. A perda de 5% a 10% da massa corporal é suficiente para conferir efeito benéfico clínico, sendo que este é preservado desde que não haja ganho de peso4.

A dieta desejável para portadores da síndrome deve priorizar o consumo de alimentos com baixo teor de gordura saturada e ácidos graxos trans, estimulando a ingestão de alimentos de baixo índice glicêmico e com quantidades adequadas de fibras alimentares. Deve-se, ainda, limitar o consumo de sódio. Além disso, é necessário o estímulo à prática regular de atividades físicas, com o intuito de evitar o ganho ponderal. Frente a isso, intervenções eficazes no hábito alimentar desses indivíduos são necessárias, tornando a educação nutricional um fator indispensável na prevenção e controle dessa síndrome4.

Sindrome metabolica 3

 

* esse texto foi originalmente produzido para a revista Nutrição InForma, do grupo Pet Nutrição, para a edição do segundo semestre de 2015. Você pode acessar a revisa aqui. 

 

REFERÊNCIAS:

1 LERARIO, Antonio Carlos; BETTI, Roberto Tadeu Barcellos e WAJCHENBERG, Bernardo Leo. O perfil lipídico e a síndrome metabólica. Rev. Assoc. Med. Bras.. 2009, vol.55, n.3, pp. 232-233.

2 GELONEZE, Bruno. Síndrome metabólica: mito ou realidade?. Arq. Bras. Endocrinol. Metab. 2006, vol.50, n.3, pp. 409-411.

3 I DIRETRIZ BRASILEIRA DE DIAGNÓSTICO E TRATAMENTO DA SÍNDROME METABÓLICA. Conceituação, Epidemiologia e Diagnóstico. Arq. Bras. de Cardiologia. 2005, vol. 84. pp. 08.

4 SANTOS, Cláudia Roberta Bocca; PORTELLA, Emilson Souza; AVILA, Sonia Silva e SOARES, Eliane de Abreu. Fatores dietéticos na prevenção e tratamento de comorbidades associadas à síndrome metabólica. Rev. Nutr. 2006, vol.19, n.3, pp. 389-401.

5 BUSNELLO, Fernanda Michielin et al. Intervenção nutricional e o impacto na adesão ao tratamento em pacientes com síndrome Metabólica. Arq. Bras. Cardiol.,  São Paulo,  v.97, n.3, p. 217-224, Set. 2011.

6 SCHERER, Fernanda; VIEIRA, José Luiz da Costa. Estado nutricional e sua associação com risco cardiovascular e síndrome metabólica em idosos. Rev. Nutr., Campinas, v.23, n.3, p.347-355, Junho, 2010. Disponível em <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1415-52732010000300003&lng=en&nrm=iso&gt;. Acesso em 30 de maio de 2017.


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