Diabetes, alimentação e qualidade de vida

Por Profa. Dra. Débora Venske

 

MAS O QUE É DIABETES?

Quando nos alimentamos e fazemos a digestão, os alimentos que comemos se transformam em energia para nosso corpo. Precisamos de energia para realizar todas as nossas atividades, desde uma caminhada leve até um exercício físico rigoroso, e até quando respiramos estamos utilizando energia. Esta energia é a glicose, que chega aos nossos órgãos e tecidos pela corrente sanguínea. Mas para usarmos bem a energia da glicose, o nosso corpo precisa de um auxiliador, que é um hormônio chamado insulina. A principal função da insulina é fazer com que a glicose chegue as nossas células, e assim possa ser utilizada para as mais diversas atividades celulares. Podemos dizer então que a insulina controla a quantidade de glicose no nosso sangue.

Quem é responsável por produzir a insulina é o pâncreas, que é um órgão localizado atrás do estômago e que produz, além da insulina, alguns hormônios importantes para nosso sistema digestivo. Quando nos alimentamos e a quantidade de glicose aumenta no sangue, o pâncreas libera a insulina que faz com que o nível de glicose (ou taxa de glicemia) no sangue fique normal.

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Quando somos diabéticos podem acontecer duas coisas:

1º O pâncreas para de produzir insulina, e assim para controlar a glicose no sangue precisamos usar insulina (que é aplicada pelo individuo embaixo da pele, com uma seringa ou caneta). Esse é o processo que caracteriza o diabetes do Tipo 1, que acomete de 5 a 10% do total de pessoas com a doença. Este tipo aparece geralmente na infância ou adolescência, mas pode ser diagnosticado em adultos também.

2º O organismo não consegue usar adequadamente a insulina que o pâncreas produz; ou o pâncreas não produz insulina suficiente para controlar a glicose no sangue. Este é o diabetes do tipo 2. Cerca de 90% das pessoas diabéticas têm este tipo de diabetes. Ele se manifesta mais frequentemente em adultos, mas crianças também podem apresentar. Dependendo da gravidade, ele pode ser controlado com atividade física e planejamento alimentar. Em outros casos, exige o uso de insulina e/ou outros medicamentos para controlar a glicose.

Uma das consequências do diabetes é a famosa Hiperglicemia, que é quando o nível de glicose no sangue fica alto. Quando temos hiperglicemia por longos períodos, podem ocorrer danos em órgãos, vasos sanguíneos e nervos. Um simples exame de sangue pode revelar se você tem diabetes. Com uma gotinha de sangue e três minutos de espera, já é possível saber se há alguma alteração na taxa de glicemia. Caso a alteração seja considerável, será necessária a realização de outros exames, mais aprofundados.

E A ALIMENTAÇÃO DO DIABÉTICO?

Quando pensamos em diabetes logo vem à cabeça que os alimentos proibidos serão os doces. Na verdade, os diabéticos, como todas as pessoas, devem ter uma alimentação saudável, que seja capaz de oferecer todos os nutrientes necessários para o corpo humano, promovendo seu crescimento e desenvolvimento, manutenção de tecidos, resistência às doenças, além de saúde e bem-estar.  Ela deve ser composta de uma variedade nutrientes, como proteínas carboidratos e lipídeos (gorduras), respeitando o equilíbrio entre eles em quantidade e em qualidade (tanto nutricional quanto sensorial).

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Um nutriente que chama atenção para o diabético é o carboidrato. Os carboidratos são os nutrientes que mais mexem com a glicemia – quase 100% dos carboidratos são transformados em glicose em um tempo mais curto do que outros nutrientes como as proteínas e as gorduras quando fazemos a digestão.  Para que haja equilíbrio da glicemia e dos níveis e função da insulina o cuidado com os tipos e quantidade de alimentos fontes de carboidratos é essencial.

Os carboidratos constituem a maior parte da alimentação humana: de 45% a 65% da energia que precisamos diariamente devem ser fornecidos pelo grupo dos carboidratos. De forma geral, todos os grupos de alimentos, exceto as carnes, o sal, os óleos e as gorduras possuem carboidratos, o que muda é a quantidade e o tipo de carboidrato que compõe o alimento. Os principais alimentos que são fontes de carboidratos são os alimentos do grupo de cereais (arroz, milho, trigo, pães e massas), dos tubérculos como as batatas e das raízes como a mandioca/aipim.

Quanto aos tipos, existem os carboidratos complexos (presentes na batata, farinhas, pães e massas), os carboidratos simples (presentes no açúcar de mesa, mel) e ainda temos as fibras alimentares, que são um tipo de carboidrato complexo (que estão nas verduras, cascas das frutas, cereais integrais).

Os carboidratos complexos são fontes de energia e também de vitaminas do complexo B e de ácidos graxos essenciais. Estes carboidratos levam mais tempo para virar glicose e entrar na corrente sanguínea, assim a glicemia aumenta lentamente. Já os carboidratos simples que são fontes apenas de energia, elevam muito rapidamente a glicemia e devem compor a alimentação em quantidades controladas, pois o seu consumo excessivo está relacionado com o aumento de risco de obesidade e outras doenças crônicas não-transmissíveis (diabetes, pressão alta, algumas doenças do coração). Além disso, é importante dar sempre preferência aos grãos integrais e aos alimentos na sua forma mais natural.

É importante ressaltar que os carboidratos não estão sozinhos nos alimentos, mesmo um alimento fonte de carboidrato pode conter outros nutrientes como proteínas e gorduras de maneira combinada e por isso podem fazer com que a glicose demore mais ou menos para aumentar no sangue.

Para os diabéticos é necessário criar uma rotina, tanto em relação à alimentação quanto à correta aplicação da insulina. É importante não pular nenhuma refeição. São necessárias ao menos três refeições por dia (café da manhã, almoço e jantar) intercaladas por pequenos lanches.

Parece muito complicado? Uma dica importante é sempre procurar um nutricionista, que é o profissional habilitado para orientar da forma mais correta a sua alimentação. Também, compartilhar suas dúvidas com amigos e parentes de confiança pode revelar pessoas dispostas a apoiá-lo e ajudá-lo a mudar seu estilo de vida. Há ainda vários grupos de apoio e associações que não só ajudam com a troca de experiências, como fornecem informações importantes sobre os cuidados com o diabetes. Lembrando que é importante comunicar as pessoas nos locais que você frequenta que você é diabético, assim, se houver qualquer complicação, essas pessoas estarão orientadas a ajudar e encaminhar para o atendimento correto.

Mas não se esqueça: você é o protagonista no cuidado com o diabetes. Prepare-se para as consultas – faça sua parte anotando os dados em papel, em tabelas no computador ou em aplicativos no tablet ou smartphone. Saiba que o seu cuidado com o diabetes pode garantir muita saúde e qualidade de vida a longo prazo.

 

REFERÊNCIAS:

SOCIEDADE BRASILEIRA DE DIABETES. Diretrizes da Sociedade Brasileira de Diabetes (2015- 2016), 2016.

SOCIEDADE BRASILEIRA DE DIABETES. Manual oficial de contagem de carboidratos, 2009. Disponível em: <http://www.diabetes.org.br/publico/diabetes/diagnostico-e-tratamento&gt;.  Acesso em: 29 maio. 2017.


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