Pesquisa revela que o Resveratrol (encontrado no vinho tinto) pode ajudar a combater o envelhecimento na função motora

Por Muriel Hamilton Depin

 

À medida que envelhecemos, problemas de equilíbrio e comprometimento da coordenação motora contribuem para problemas de saúde, acidentes, falta de mobilidade e menor qualidade de vida. Então, pesquisadores trabalharam para identificar mudanças moleculares que possibilitassem retardar os déficits motores que ocorrem com o envelhecer.1

Em um estudo publicado esse ano no The Journals of Gerontology2, cientistas do Virginia Tech Carilion Research Institute mostraram que o resveratrol preserva as fibras musculares à medida que envelhecemos e ajuda a proteger as conexões entre os neurônios (chamadas de sinapses) dos efeitos negativos do processo de envelhecimento.

Nesse estudo, os cientistas examinaram a integridade estrutural das junções neuromusculares em camundongos de dois anos (geralmente considerados idosos) tratados com resveratrol por um ano. Essas sinapses são essenciais para o movimento voluntário porque retransmitem comandos motores que circulam de neurônios na medula espinhal para músculos. Com isso, foi descoberto que o resveratrol retarda significativamente o envelhecimento das junções neuromusculares no músculo extensor desses camundongos – além de preservar a morfologia das fibras musculares.1,2

Já se sabia que uma alimentação saudável e o exercício podem proteger as sinapses da junção neuromuscular do desgaste do envelhecimento, mas com essa pesquisa, os pesquisadores mostram que o resveratrol pode ter um efeito benéfico semelhante.1

O resveratrol é um composto antioxidante encontrado na casca de uvas vermelhas, vinho tinto, amora, amendoim e outras 70 espécies de plantas.1 Ele tem sido de interesse para os cientistas que estudam o antienvelhecimento por muitos anos e os pesquisadores já demonstraram que podem estar ligados a uma desaceleração do declínio no pensamento e no movimento, pelo menos em roedores – além de inúmeras pesquisas relacionando seu consumo com a prevenção de doenças crônicas não transmissíveis, principalmente de doenças cardiovasculares.3

No entanto, as pessoas não receberão os benefícios neuroprotetores maciços vistos em camundongos bebendo vinho, pois nele o resveratrol está em quantidade muito baixa comparada à usada no estudo para ter o efeito encontrado. Além disso, o estudo foi realizado em camundongos, não lucidando como esses benefícios ocorrem em seres humanos. Os próprios pesquisadores advertem contra o excesso do consumo do composto (seja no vinho ou em qualquer outra forma) visando os benefícios neuroprotetores.1,3

Logo, esse estudo não é um motivo para beber uma grande quantidade de vinho tinto, na esperança de ver um efeito antienvelhecimento – até porque o consumo excessivo de álcool acelera a deterioração das habilidades de pensamento e pode causar danos cerebrais, e está relacionado, a longo prazo,  a vários tipos de câncer, doença cardíaca, acidente vascular cerebral e doença hepática.3

 

REFERÊNCIAS:

1 PASTOR, John. Resveratrol, a compound found in red wine, protects neuromuscular synapses, muscle fibers in aging mice. Virginia Tech News, 2017. Disponível em: <https://vtnews.vt.edu/articles/2017/03/resveratrol-vtrcri-030717.html&gt;. Acesso em: 05 jun. 2017.

2 STOCKINGER, Jessica et al. Caloric Restriction Mimetics Slow Aging of Neuromuscular Synapses and Muscle Fibers. J Gerontol A Biol Sci Med Sci, 2017, Vol. 00, No. 00, 1–8. Disponível em: <https://academic.oup.com/biomedgerontology/article/doi/10.1093/gerona/glx023/3063060/Caloric-Restriction-Mimetics-Slow-Aging-of&gt;. Acesso em: 05 jun. 2017.

3 PUBMED HEALTH. Substance found in red wine ‘helps fight ageing’. Behind The Headlines – Health News from NHS Choices, 2017. Disponível em: <https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmedhealth/behindtheheadlines/news/2017-03-08-substance-found-in-red-wine-helps-fight-ageing/&gt;. Acesso em: 05 jun. 2017.

 

 


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