Estudo indica conexão entre câncer de pulmão e açúcar

Por Muriel Hamilton Depin

 

O excesso de consumo de açúcar não é apenas um problema que pode levar a complicações como diabetes, mas também, com base em diversos estudos e outros trabalhos, a evidência de que alguns tipos de câncer também são altamente dependentes do açúcar está aumentando.

Suspeita-se que muitas células cancerosas dependem fortemente do açúcar como seu suprimento de energia. No entanto, em um novo estudo publicado no dia 26 de maio de 2017, cientistas da Universidade do Texas descobriram que alguns tipos de câncer têm maior dependência por açúcar que outros – sendo que um tipo específico, o carcinoma de células escamosas, é notavelmente mais dependente.

Os pesquisadores inicialmente se propuseram a investigar diferenças no metabolismo entre dois subtipos principais de câncer de pulmão de células não pequenas – adenocarcinoma (ADC) e carcinoma de células escamosas (SqCC). Cerca de um quarto de todos os cânceres de pulmão são SqCC, que tem sido difícil de tratar, mesmo com terapias direcionadas.

Primeiramente, a equipe de pesquisa aproveitou uma grande base de dados do governo chamada The Cancer Genome Atlas, que mapeia informações sobre 33 tipos de câncer coletados de mais de 11.000 pacientes. Com base nesses dados, eles descobriram que uma proteína responsável pelo transporte de glicose em células estava presente em níveis significativamente maiores em SqCC pulmonar do que no ADC pulmonar. A proteína, chamada transportadora de glicose 1, ou GLUT1, é responsável por levar a glicose para dentro das células, onde o açúcar fornece uma fonte de energia fundamental e alimenta o metabolismo celular.

nóticia açucar e cancer
O transportador de glicose chamado GLUT1, (mostrado em verde) é muito mais prevalente nas células do carcinoma de células escamosas pulmonares (direita) do que nas células de adenocarcinoma pulmonar (esquerda). Os achados podem ajudar no desenvolvimento de novas terapias contra o câncer de pulmão voltadas para a inibição do GLUT1.

 

Com o GLUT1 elevado envolvido no apetite de açúcar do SqCC pulmonar, os pesquisadores procuraram evidências adicionais, examinando tecido pulmonar humano e células de câncer de pulmão isoladas, bem como modelos animais da doença. Isso foi observado em vários ângulos experimentais diferentes, e de forma consistente, o GLUT1 foi altamente ativo no subtipo escamoso de câncer – sendo, então, o adenocarcinoma muito menos dependente do açúcar. Esse é o primeiro estudo a mostrar sistematicamente que o metabolismo desses dois subtipos é realmente distinto e único.

No entanto, essa descoberta não deve ser levada como um incentivo para cortar totalmente o açúcar da alimentação, nem substitui-lo por algum tipo de adoçante. Portanto, o importante é buscar consumir uma alimentação saudável e equilibrada, evitando o exagero no consumo de açúcar (principalmente encontrado em industrializados), bem como de restrições alimentares drásticas.

 

REFERÊNCIA:

SIEGFRIED, Amanda. Scientists’ Study Sweetens Connection Between Cancer, Sugar. The University of Texas at Dallas, maio 2017. Disponível em: <http://www.utdallas.edu/news/2017/5/30-32567_Scientists-Study-Sweetens-Connection-Between-Cance_story-wide.html?WT.mc_id=NewsHomePageCenterColumn&gt;. Acesso em: 30 maio. 2017.

 GOODWIN, Justin. The distinct metabolic phenotype of lung squamous cell carcinoma defines selective vulnerability to glycolytic inhibition. Nature communications, pp. 1-16, maio 2017.


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