A relação do açúcar com o envelhecimento

Por Muriel Hamilton Depin

Há uma correlação entre uma dieta rica em açúcar e o aumento de sua concentração no sangue e na pele – na pele a maior parte desse açúcar está ligado a proteína, sendo resultado de um processo denominado glicação, formando um produto de glicação avançada (AGE). Além disso, um alto consumo de açúcar promove a inibição da proliferação de queratinócitos epidérmicos e de fibroblastos dérmicos.1

A glicação é um processo de ligação covalente que se liga a aminoácidos presentes no colágeno e na elastina – que são estruturas que sustentam a pele. Considerando que o colágeno e a elastina são normalmente ligados em um padrão e uma maneira que lhes permite ser reparado, a glicação adiciona ligações cruzadas que interferem com o mecanismo de reparação.1

O conceito de reticulação/ligação cruzada (ou cross-linking) é o mais importante na compreensão da relação do açúcar com o envelhecimento. A reticulação é um processo que ocorre quando cadeias poliméricas são interligadas por ligações covalentes. O simples ato da ligação cruzada de duas fibras de colágeno torna ambas incapazes de serem reparadas através do processo usual de remodelação. Como a aparência de pele jovem depende da manutenção de fibras de colágeno jovens, flexíveis e reparáveis, essa ligação deve ser evitada sempre que possível.1

glicacao

O processo de glicação provavelmente inicia desde muito cedo e está bem estabelecida a partir do fim dos 20 anos. O colágeno glicado acumula a uma taxa de 3,7% anual e varia de acordo com a dieta – ou seja, quanto maior o consumo de açúcar, maior será a quantidade de colágeno glicado acumulado. A exposição à radiação ultravioleta também aumenta a reticulação na pele e as ligações cruzadas das proteínas de enzimas antioxidantes diminuem ainda mais as defesas naturais do organismo contra os radicais livres.1

Segundo o Guia Alimentar para a População Brasileira2, desde que seja usado com moderação em preparações culinárias com base em alimentos in natura ou minimamente processados, o açúcar ajuda a tornar mais saborosa e diversificada a alimentação sem ficar nutricionalmente desbalanceada. Mas é preciso ter cuidado, pois seu consumo excessivo aumenta o risco de cárie dental, de obesidade e de várias outras doenças crônicas – como diabetes.

É importante lembrar que grande parte do consumo de açúcar vem dos alimentos industrializados/ultraprocessados – como guloseimas, refrigerantes e outras bebidas adoçadas, produtos desidratados (como misturas para bolo e sopas em pó), cereais matinais, barras de cereal e uma infinidade de produtos que chegam ao mercado todos os anos.2

Portanto, é fundamental a leitura nos rótulos dos alimentos da lista de ingredientes, caso o açúcar for um dos primeiros ingredientes, significa que esse está em alta quantidade. Outro fato que é preciso ter atenção é com os diferentes tipos de açúcar que aparecem na lista de ingredientes de diversos produtos industrializados – inclusive aqueles tidos como saudáveis, como barra de cereais e pães integrais. Assim, o açúcar pode ter as seguintes denominações: açúcar branco/refinado, cristal, demerara, mascavo, de confeiteiro, invertido ou açúcar de coco; mel; melado/melaço; sacarose; glicose; glucose de milho; xarope de milho, xarope de malte; dextrose; frutose; galactose; lactose; malte; maltodextrina; agave, caldo de cana e néctares. Quando se deparar com mais de uma dessas denominações em um único produto, o ideal é rever seu consumo.3

Devido ao fato de ser praticamente impossível reparar o colágeno glicado, a prevenção é a principal defesa – e o quão mais cedo essas ações preventivas ocorrerem, melhor.1 Dessa forma, além do consumo de uma alimentação saudável e equilibrada (evitando o consumo de industrializados), para um envelhecer saudável é preciso adoçar menos os alimentos e mais a vida – e jamais se esquecer de usar protetor solar.

 

REFERÊNCIA:

1 DANBY, FW. Nutrition and aging skin: sugar and glycation. Clin Dermatol., v. 28, n. 4, pp. 409-11, jul./aug. 2010.

2 BRASIL. MINISTÉRIO DA SAÚDE. Guia Alimentar para a População Brasileira. Brasília: Ministério da Saúde, 2014.

3 COELHO, Desire. Os diferentes tipos de açúcar presente nos alimentos que muita gente não conhece. Site Ciência informa, 27 de março de 2017. Disponível em: <http://www.cienciainforma.com.br/post.php?id=289&gt;. Acesso em: 15 maio. 2017.

 


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