Envelhecimento da pele

Por Muriel Hamilton Depin

O envelhecimento da pele é um processo altamente complexo, mas ainda não totalmente compreendido. Semelhante ao organismo inteiro, a pele está sujeita a um processo de envelhecimento intrínseco sem prevenção. Além disso, o envelhecimento da pele também é influenciado por fatores exógenos¹.

ENVELHECIMENTO INTRÍNSECO DA PELE

 Os seguintes aspectos são discutidos em várias teorias sobre o envelhecimento intrínseco da pele: envelhecimento celular (Hayflick-Limit) e encurtamento de telômeros, mutações do DNA mitocondrial, estresse oxidativo, mutações genéticas e diminuição de vários níveis hormonais.

De acordo com a teoria dos radicais livres do envelhecimento, as espécies reativas de oxigênio (EROs), tem papel importante no envelhecimento. Apesar de vários mecanismos antioxidantes, que se deterioram com o aumento da idade, são vários os danos aos componentes celulares causados por elas. Esses danos levam ao aumento de EROs e redução das capacidades antioxidantes do organismo, e, finalmente, ao envelhecimento celular.

Já a teoria dos telômeros indica que o encurtamento crítico dos telômeros induz resposta de dano ao DNA, envolvendo apoptose (morte celular), senescência ou parada do ciclo celular – e consequentemente, o envelhecimento celular. Os telômeros são estruturas formadas por fileiras repetitivas de proteínas e DNA que originam as extremidades dos cromossomos.

O comprimento dos telômeros diminui com o aumento da idade.  Há indícios que a exposição à radiação UV possa acelerar este processo de encurtamento.

O envelhecimento intrínseco da pele também é fortemente influenciado por alterações hormonais. A produção de hormônios sexuais nas gônadas, na hipófise e nas glândulas adrenais já reduz gradualmente lá pelos vinte anos. Além disso, estrógenos e a progesterona decaem com a menopausa. Em particular, a deficiência em estrógenos e andrógenos provoca ressecamento, enrugamento, atrofia epidérmica, quebra do colágeno e perda de elasticidade¹.

FOTOENVELHECIMENTO – ENVELHECIMENTO EXTRÍNSECO

O fotoenvelhecimento é o resultado de danos induzidos por radiação ultravioleta (UV) devido à exposição solar sem proteção. A pele exposta ao sol é caracterizada por alterações superficiais, como rugas, flacidez e alterações pigmentares, e também alterações internas na estrutura e função da epiderme, membrana basal e derme. Os danos à pele induzidos por raios UV são cumulativos e levam ao envelhecimento prematuro da pele². Aproximadamente 80% do envelhecimento da pele facial é atribuído à exposição à radiação UV. Um dos motivos para isso é que a exposição à radiação UV gera uma considerável redução na produção de colágeno¹.

A radiação UVB é principalmente absorvida na epiderme, gerando dano ao DNA ao formar dímeros fotocarcinogênicos de ciclobutano pirimidina (Photocarcinogenic Cyclobutane Pyrimidine Dimers – CPDs) e fotoprodutos. Logo, a luz UVB está mais relacionada aos danos que geram mutações e podem levar ao surgimento de câncer¹.

Já a radiação UVA é absorvida por cromóforos celulares, precursores de melanina e riboflavina. Esses cromóforos expostos à luz geram EROs, que danificam lipídios, proteínas e DNA. Sendo assim, a luz UVA tem papel importante no fotoenvelhecimento devido à sua alta profundidade de penetração¹.

Envelhecimento da pele2

OUTROS FATORES EXÓGENOS

 Além da exposição à radiação UV, o consumo de álcool, o tipo de pele e o sexo, um dos principais fatores que contribuem para o envelhecimento prematuro da pele é a exposição ao fumo do tabaco. Vários estudos indicaram que fumar cigarros promove a formação de rugas. Análise da estrutura da superfície da pele mostrou que as pessoas com história de tabagismo de pelo menos 35 carteiras/ano apresentaram rugas mais profundas do que os não fumantes¹.

Outros fatores exógenos relevantes são a exposição a radiação infravermelha e a má nutrição¹.

 

REFERÊNCIAS:

¹ KOHL, E. et al. Skin ageing. J Eur Acad Dermatol Venereol., v. 25, n. 8, pp. 873-84, Aug. 2011.

² AMANO, Satoshi. Characterization and mechanisms of photoageing-related changes in skin. Damages of basement membrane and dermal structures.  Experimental Dermatology., v. 25 (Suppl. 3), pp.14–19, Aug. 2016.

 


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