Hidratação e Envelhecimento

Por Karine Kahl

A água é um nutriente essencial à vida, sendo um dos mais importantes no corpo humano, devido às suas variadas funções essenciais ao bom funcionamento do organismo. Ela transporta nutrientes, resíduos e é componente integral da termorregulação, sendo fundamental para a manutenção do sistema linfático, funcionamento celular adequado, renovação dos produtos de resíduos das células e do corpo, facilita a ingestão e a digestão, atua como lubrificante e evita algumas inflamações no trato urinário e olhos. [1]

A proporção de água no organismo varia de acordo com o sexo e a idade. À medida que se envelhece, vai havendo uma diminuição da proporção de água no organismo. Os idosos, além de possuírem menor quantidade, cerca de 40% a 50% do peso corpóreo, também são mais suscetíveis à perda de água do que os jovens. Seus rins e glândulas endócrinas são menos capazes de produzir ajustes de retenção de água, bem como o mecanismo da sensação de sede diminui. Além disso, a arteriosclerose pode diminuir a sensação de sede, contribuindo ainda para que não haja a reposição de líquidos. As mulheres possuem menor proporção de água no corpo, devido ao fato de terem mais tecido adiposo do que os homens, visto que esse possui menor quantidade de água. Logicamente então, os obesos possuem menor proporção de água do que os magros. [2]

A desidratação é o termo usado para designar o processo de redução de água do corpo, seja por motivo de doença, esforço físico, estresse térmico ou privação de água. [3] A faixa etária mais propícia a apresentar desidratação são os idosos. Nos estudos realizados para verificar a hidratação dos mesmos, geralmente verifica-se que a ingestão de água é abaixo do indicado, pois a maioria dos indivíduos relatam beber líquidos apenas quando sentem sede. [2] Desse modo, é importante salientar que ao sentirmos sede já nos encontramos desidratados. Esse quadro é ainda mais grave na terceira idade devido à diminuição dos mecanismos que desencadeiam a sede, como já citado. [3]

Hidratação em idosos 2

Uma desidratação de 1% a 2% do peso corporal começa a comprometer as funções fisiológicas. Desidratação superior a 3% do peso corporal perturba ainda mais as essas funções.[3] Os principais sintomas são: o aumento da agitação psicomotora, indisposição para realização das atividades diárias, dores de cabeça, boca seca ou com pouca saliva e choro sem lágrimas, diminuição da urina ou urina concentrada (de cor forte). Associados a estes sinais aponta-se outras condutas e patologias caso da diminuição da pressão arterial, sonolência, fraqueza muscular, tonturas, infecções do trato urinário e perda de peso. [1]

A ingestão hídrica ideal para o idoso é de 2,0 a 2,5 litros ao dia, quantidade difícil de ser alcançada, devido a diminuição da sede, processo conhecido como hipodipsia, muitas vezes acompanhada de esquecimentos e falhas na memória, naturais da idade e de algumas doenças; além de muitas vezes o idoso apresentar dificuldades de locomoção, não indo em busca de água. [1]

Neste caso a estratégia é beber água antes mesmo de sentir sede, evitando copos grandes e cheios, fazendo a oferta de água em copos pequenos e com pouca quantidade, porém várias vezes ao dia. Além de água, outras bebidas e alimentos favorecem a hidratação do idoso, como por exemplo: água de coco, leite, chás de ervas claras, gelatina e frutas aquosas como melancia, melão, laranja, tangerina, lima, limão, abacaxi, maçã e pêra com casca. [1] Lembrando também que tudo é questão de hábito: no começo pode ser um sacrifício, mas após uns dias você já encara aquilo como uma rotina e começa a apreciar isso tudo, além de, claro, fazer bem à saúde.

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REFERÊNCIAS:

[1] GOMES, António Luís Cordeiro. Avaliação do estado de hidratação em idosos institucionalizados. 2014. 100 f. Tese (Doutorado) – Curso de Nutrição Clínica, Universidade de Coimbra, Coimbra, 2014.

[2] CARVALHO, Ana Paula Lambrecht de; ZANARDO, Vivian Polachini Skzypek. Consumo de água e outros líquidos em adultos e idosos residentes no município de Erechim – Rio Grande do Sul. Perspectiva, Erechim, v. 34, n. 125, p.117-126, mar. 2010.

[3] JESUS, Doalcei de; ESTRELA, André Luiz. Prática da hidratação e avaliação dos níveis de hidratação em atletas idosos durante uma prova de meia maratona. Revista Brasileira de Prescrição e Fisiologia do Exercício, São Paulo, v. 10, n. 60, p.450-459, ago. 2016.


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