O exercício e a vitamina D previnem queda em idosos?

Texto publicado originalmente no site Ciência in Forma por Bruno Gualano 

 

O risco de queda é umas das grandes preocupações na população idosa, pois pode levar a fraturas e, consequentemente, hospitalização. Num estudo recém-publicado, os possíveis efeitos protetores do exercício e da vitamina D sobre a prevalência de quedas foram avaliados. Confira os interessantes resultados!

A principal causa de fraturas em idosos é a queda, que pode provocar internações hospitalares e, como consequência, enormes prejuízos ao sistema de saúde pública.  Em razão disso, estratégias de prevenção de lesões induzidas por quedas são de suma importância.

Duas medidas potencialmente terapêuticas são o exercício e a vitamina D, ambos supostamente capazes de aumentar massa óssea e função muscular na população idosa. Num recente estudo finlandês publicado na prestigiosa revista JAMA, essas intervenções foram testadas. Os pesquisadores subdividiram 409 voluntários, de 70 a 80 anos de idade, em 4 grupos: (1) exercício físico + placebo, (2) exercício físico + vitamina D (800 UI/d), (3) vitamina D sem exercício, e (4) grupo controle, sem exercício ou vitamina D. O programa de treinamento físico consistiu em exercícios supervisionados (1 ou 2 vezes por semana) funcionais, de força, mobilidade, agilidade e propriocepção. Além disso, os voluntários dos grupos treinados (1 e 2, veja acima) recebiam orientações para se exercitarem em casa, nos dias sem a sessão supervisionada.  Após 24 meses de intervenção, os pesquisadores reportaram o número total de quedas e parâmetros de funcionalidade e massa óssea.

O número total de quedas não foi diferente entre nenhum dos grupos. Interessantemente, no entanto, os grupos treinados, independentemente da suplementação de vitamina D, apresentaram riscos reduzidos de queda que resultaram em lesão ou fratura. É provável que esse achado esteja associado com as melhoras de força, mobilidade e equilíbrio observadas apenas nos grupos treinados, sem nenhum efeito da suplementação de vitamina D, embora esta tenha sido capaz de beneficiar levemente alguns parâmetros ósseos.

Os autores acreditam que os efeitos da suplementação de vitamina D não tenham sido verificados neste estudo pois os voluntários já possuíam um consumo adequado desse nutriente na dieta. Em relação ao exercício, os pesquisadores concluem que o treinamento físico é a estratégia mais efetiva e viável para combater fraturas e lesões ocasionadas por quedas em uma população idosa aparentemente saudável. Resta saber se essas conclusões poderão ser aplicadas a populações mais fragilizadas, como, por exemplo, em idosos institucionalizados. Por ora, aguardemos que as agências de suporte à pesquisa priorizem estudos dessa natureza e que as políticas de saúde pública contemplem a massificação da atividade física para a população idosa.

Para conhecer mais sobre o tema, leia:
Uusi-Rasi K et al., Exercise and vitamin d in fall prevention among older women: a randomized clinical trial. JAMA Intern Med. 2015 May 1;175(5):703-11. doi: 10.1001/jamainternmed.2015.0225


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