Deixe a luz entrar: a relação entre a vitamina D e a imunidade

Por Muriel Hamilton Depin e Maria Eduarda Zytkuewisz Camargo
* Texto publicado também na Revista Nutrição InForma, feita pelo PET Nutrição UFSC.

 

Além do papel que a vitamina D tem para a absorção do cálcio no organismo (o que é importante para a manutenção da densidade óssea e prevenção de quedas no envelhecer), ela vem demonstrada ser relevante também para a manutenção da imunidade. Entenda essa relação no texto a seguir.

Apesar de ser chamada de vitamina, conceitualmente a vitamina D é um pré-hormônio, o qual atua com o paratormônio (PTH) como importantes reguladores da homeostase do cálcio e da formação/reabsorção óssea. Sua principal fonte está na síntese cutânea endógena que ocorre após exposição à radiação ultravioleta B (luz solar), mas também pode ser obtida através da alimentação – como, por exemplo, no óleo de fígado de bacalhau e peixes gordurosos, como no salmão e atum ¹.

A vitamina D parece estar relacionada na fisiopatogênese de diversas doenças: sua deficiência leva ao retardo do crescimento e ao raquitismo em crianças, e, em adultos, leva à osteomalácia, ao hiperparatiroidismo secundário – o que eleva a reabsorção óssea, favorecendo a perda de massa óssea e o aparecimento de osteopenia e osteoporose ¹.

Além disso, parece haver uma relação entre a deficiência de vitamina D e as doenças imunes, as quais podem começar a ser entendidas a partir das funções fisiológicas da vitamina nas células imunológicas. Os receptores para vitamina D estão vastamente presentes nas células imunológicas. A ação da vitamina no sistema imune diz respeito ao aumento da imunidade inata associada a regulação da imunidade adquirida e a sua deficiência tem sido estudada e relacionada com a prevalência de algumas doenças autoimunes, tais como a diabetes mellitus insulino-dependente, esclerose múltipla, doença inflamatória intestinal, lúpus eritematoso sistêmico e artrite reumatoide ².

No caso da artrite reumatoide, por exemplo, acredita-se que a doença se desenvolva a partir da ativação de linfócitos T dependente de antígenos e desencadeia uma resposta imunológica, sendo que a deficiência da vitamina D parece estar associada à piora dessa resposta. Já em relação ao lúpus eritematoso sistêmico, há vários fatores de risco devido à deficiência de receptores de vitamina D, o que pode estar relacionada com a fotossensibilidade que requer uso de protetor solar e menor exposição ao sol e também o uso de corticoides (que parece alterar o metabolismo da vitamina). Já a baixa ingestão e má absorção de vitamina D, assim como pouca exposição solar, parece acelerar o metabolismo da doença inflamatória intestinal. Por fim, em relação à diabetes mellitus insulino-dependente, dentre as características fisiopatológicas da doença, é possível citar a destruição dos linfócitos que se diferenciam em células Th1, estas que são afetadas pela deficiência de vitamina D e aceleram o processo da doença ².

Para evitar a deficiência da vitamina D e todas as suas possíveis consequências, há duas alternativas: a exposição à luz solar e a suplementação. Porém, embora a suplementação da vitamina seja indicada em muitos casos (como em habitantes de regiões com baixa exposição solar e aqueles com contraindicação clínica, como no câncer de pele), para a maioria das pessoas, nada é mais efetivo do que a exposição ao sol diariamente por 10 a 15 minutos – sem o uso de protetor solar e sem o corpo estar totalmente coberto ¹,³. Portanto, é importante deixar a luz entrar na vida, e na pele, e trazer com ela mais saúde e imunoproteção.

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REFERÊNCIAS:

 ¹ MAEDA, Sergio Setsuo et al. Recomendações da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM) para o diagnóstico e tratamento da hipovitaminose D. Arquivos Brasileiros de Endocrinologia & Metabologia, São Paulo, v.58, n.5, jul. 2014.

² MARQUES, Cláudia Diniz Lopes et al. A importância dos níveis de vitamina D nas doenças autoimunes. Rev. Bras. Reumatologia, São Paulo, v. 50, n.1, jan./feb. 2010.

³ HOLICK, Michael F. Vitamina D: como um tratamento tão simples pode reverter doenças tão importantes. São Paulo: Editora Fundamento Educacional, 2012.


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